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Nutrição: Disfagia após AVC

Depois do AVC  >  Disfagia após AVC

A disfagia define-se pela dificuldade ou incapacidade de transportar de forma segura o bolo alimentar da boca até ao estômago, isto é, a dificuldade de deglutição.

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Pode afetar cerca de metade das pessoas que sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Embora uma boa parte recupere a capacidade de deglutição de forma parcial ou totalmente nas primeiras semanas, cerca de 15% dos sobreviventes mantêm as dificuldades, podendo apresentar esta sequela seis meses ou mais após o evento.

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Quando a deglutição está comprometida, surgem dois riscos associados:

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  • Défice Nutricional e Hídrico: a dificuldade em comer e beber reduz drasticamente o ingestão de nutrientes, conduzindo à desidratação e à malnutrição severa.

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  • Complicações Respiratórias: o risco de aspiração (entrada de alimentos nos pulmões) é elevado, o que potencia o aparecimento de infeções respiratórias graves, como a pneumonia.

 

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Para diminuir estes riscos, a gestão nutricional foca-se na adaptação de texturas, por exemplo:

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  • Tornando os líquidos mais viscosos (através de espessantes)

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  • Tornando os alimentos mais homogéneos.

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Desta forma, conseguimos um melhor controlo do bolo alimentar na boca, garantindo que a alimentação seja um processo mais seguro e eficaz.

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No entanto, é importante relembrar que a alimentação vai muito além da ingestão de alimentos, é a união entre a nutrição e os significados humanos, culturais e emocionais que damos ao ato de comer.


Enquanto "comida" pode ser vista como o objeto físico, a "alimentação" engloba o hábito, a saúde e a interação com o meio.


Neste sentido, tornar a alimentação e/ou hidratação interessantes e apelativas para uma pessoa com disfagia após um AVC, pode ser um verdadeiro desafio!

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O foco deve estar na apresentação visual, na variedade de sabores e na segurança das texturas. A monotonia de dietas passadas ou pastosas, bem como dos líquidos espessados, pode conduzir rápida e silenciosamente a uma diminuição da vontade de se alimentar, e a uma consequente desnutrição.
 

 

Alimentação oral


Quando a via oral é segura, pode ser necessário adaptar a consistência dos alimentos para pastosa, mas existem alguns “cuidados” que podem promover uma adequada alimentação.


Apresentação e Cor - "Comer com os olhos"

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  • Separar os Alimentos: Evite misturar tudo num único puré cinzento. Triture a carne, o acompanhamento e os vegetais separadamente. Use formas ou aros de metal para empratar cada componente de forma isolada no prato.

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  • Contraste de Cores: Utilize vegetais vibrantes (beterraba, brócolos, cenoura, abóbora) para criar um prato visualmente estimulante. A cor envia sinais ao cérebro que despertam o apetite.

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  • Moldagem: Existem moldes de silicone que dão aos purés o formato original do alimento (ex: molde em forma de coxa de frango ou de cenoura), tornando a experiência mais próxima da realidade.

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Intensificação do Sabor e Aroma - Algumas ideias…

 

Ervas e Especiarias
Como a textura é uniforme, o sabor tem de compensar. Use ervas frescas (manjericão, coentros, hortelã) e especiarias (canela, noz-moscada, cominhos) para dar profundidade aos pratos sem adicionar pedaços perigosos.

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Caldos Caseiros
Em vez de água, utilize caldos de carne, peixe ou legumes caseiros para triturar os alimentos ou para cozinhar os cereais, contribuindo para o aumento da densidade nutricional e do sabor.

 

Aroma
O cheiro da comida acabada de fazer estimula a salivação (fase cefálica da digestão). Se possível, aqueça a comida momentos antes de servir para libertar os aromas.


Temperatura Adequada 
A comida pastosa arrefece rapidamente devido à sua superfície de exposição. Garanta que os pratos quentes são servidos bem quentes (mas seguros) e os frios bem frescos. A temperatura extrema (quente ou frio) ajuda a desencadear o reflexo de deglutição em alguns doentes.

 

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Ambiente e Utensílios

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  • Louça Contrastante: Use pratos de cores que contrastem com a comida (ex: puré de batata num prato azul) para que o claramente se identifique o que está a comer.

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  • Contexto Social: Sempre que possível, fazer as refeições à mesa com a família, mantendo o ritual social da refeição, o que reduz o isolamento e a depressão associados à disfagia.

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Exemplos Práticos!

 

  • Cozido à Portuguesa

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  • Açorda

 

 

Hidratação Criativa

A ingestão de água espessada é um dos principais obstáculos na pessoae com disfagia. No entanto, existem algumas estratégias que facilitam este processo.

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  • Águas Aromatizadas: Utilize espessantes em águas infundidas com casca de limão, laranja, pau de canela ou folhas de hortelã (coando sempre antes de espessar).

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  • Sumos e Chás: Varie entre chás frios, sumos de fruta naturais e néctares, ajustando sempre a viscosidade recomendada pelo terapeuta da fala.

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  • Gelatinas e Sorvetes: Se a pessoa tolerar variações térmicas, as gelatinas (específicas para disfagia, que não fundem na boca) ou sorvetes cremosos são excelentes alternativas para refrescar e hidratar.

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  • A sopa: é também uma excelente forma de hidratação e deve ser sempre incluída nas principais refeições.

 


Espessantes e suplementos


Os espessantes existentes no mercado permitem, atualmente, o ajuste na textura da grande maioria dos alimentos e/ou bebidas sem alterações consideráveis do seu sabor, nomeadamente, espessantes com sabor neutro (à base de gomas) ou mesmo espessantes líquidos que permitem espessar de forma fácil a grande maioria dos líquidos.


Quando há necessidade de suplementação calórica/proteica, existem também disponíveis no mercado, suplementos com textura adaptada à disfagia, ou em alternativa, em pó, que podem ser incluídos nas refeições preparadas ao longo do dia, sem alterar a textura e sabor.


Em resumo, cuidar da alimentação de quem tem disfagia após um AVC é muito mais do que apenas garantir que a comida "desce" em segurança. O segredo está em usar a criatividade para que a dieta não seja um sacrifício: cores vibrantes, temperos que despertam o olfato e paladar e texturas bem cuidadas fazem toda a diferença. Quando conseguimos unir o rigor clínico ao prazer de uma refeição saborosa e bonita, não estamos apenas a nutrir o corpo, mas também a devolver a dignidade e a alegria de viver a quem mais precisa!

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Para consultar


Cuidar e prevenir depois do AVC 
https://nutricia.pt/wp-content/uploads/2021/07/cuidar-nutrir-depois-AVC-2.pdf

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Disfagia – Receitas adaptadas com cor e sabor
https://www.ulsts.min-saude.pt/wp-content/uploads/sites/4/2022/12/ebook-disfagiaReceitasadaptadascomcoresabor.pdf

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Receitas interessantes
https://www.avantenestle.com.br/conteudos/extra-hospitalar/agua-saborizada-limao-e-hortela

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Texto elaborado por Carla Pinheiro (nuticionista) - ULS Baixo Alentejo

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